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Conceitos

Eu nunca serei nota dez!

Desde à época do colégio eu tinha pavor daqueles alunos que “se achavam” por conta das suas notas altas em seus lindos boletins ou por conta de suas “performances robóticas” durante à aula. E pra ser bem sincero, achei que apenas no colégio eu teria que agüentar isso, mas para minha surpresa, na faculdade eu também encontrei vários assim.

Não que eu tenha sido um péssimo aluno, apenas devo admitir aqui que nunca fui um aluno que tinha como objetivo tirar nota 10!

Sim, tirava boas notas sim, isso incluiu algumas notas máximas também, mas a questão é outra.

Como bom aluno que sempre fui, dedicado e esforçado, sempre procurei melhorar minha forma de aprender e verificar pontos a serem trabalhados e discutidos com maior atenção, do que simplesmente “ensaiar” algo e se dar bem.

Respeitando o mérito daqueles que estudam ou estudavam com seriedade, muitos alunos “nota 10” do meu tempo estão hoje perdidos em meio a tanta mudança, pois logo que saíram da escola se depararam com um mercado de trabalho voraz, uma disputa acirrada por um cantinho em uma empresa e “concorrentes espertos” que foram treinados para pensar!

Analisando o fator desemprego no país, pude perceber que o índice de desempregados não é resultado “somente” da falta de oportunidades de trabalho, pois o que vejo muitas vezes são pessoas formadas “correndo atrás” de uma vaga, mas sem perspectiva nenhuma e sem “um pingo” de preparo!

Mas Lobato, o que uma coisa tem a ver com a outra? Que relação existe entre a falta de emprego e alunos nota 10? Vou explicar melhor.

Citei aqui a expressão “concorrentes espertos” me referindo aos candidatos a uma vaga de emprego. Pois bem, imaginem a seguinte situação: Em uma entrevista de emprego é solicitado aos candidatos que elaborem uma apresentação sobre suas principais habilidades relevantes à empresa e o porquê estão concorrendo àquela vaga.

Pode ter certeza gente, poucos farão este simples exercício de forma natural. Os demais vão começar a se coçar refletindo o desespero de quem nem imagina por onde começar!

E por algumas experiências que já tive, por inúmeras entrevistas que já fiz, posso afirmar com razoável certeza que esses poucos que vão se dar bem não são os mesmos que se sentavam à beira do professor ou que decoravam a matéria.

As pessoas que constroem seu conhecimento aos poucos e com qualidade, são capazes de realizar qualquer tarefa, ainda que algumas levem mais tempo que outras, pelo simples fato de que essas pessoas pensam!

Um dez pode mudar a sua vida para melhor ou pode fazê-lo se acomodar em seu egocentrismo e impedi-lo de ir mais além no infinito universo do saber.

Se você é aquele aluno ou foi aquele aluno dos bons oito e meio, e que de vez em quando tirava um sete sofrido, mas conquistado a base de um estudo natural, com consciência e convicção, meus parabéns! Você jamais irá se acomodar com o que sabe e entenderá que por mais que você estude sempre há algo novo para aprender.

Por fim, devo concluir que isso não é insulto aos alunos que só tiram 10, pois já tive o prazer de estudar com pessoas realmente fora de série, muito inteligentes e de raciocínio muito rápido, entretanto, não deixei por me intimidar e sempre procurei aprender mais com essas pessoas.  É o que todos nós devemos fazer!

Eu jamais serei um “aluno nota dez”, pois acredito que há muito mais a ser descoberto e que o conhecimento não pode ser limitado a um número tão pequeno!

Obrigado e até a próxima semana!

Sobre drlobato

Um profissional da área da informática, entusiasta da música sob qualquer forma, amante da vida e das coisas simples.

Discussão

Um comentário sobre “Eu nunca serei nota dez!

  1. Pois é, em minha vida profissional me deparo frequentemente com esse perfil de aluno – um tanto quanto robótico – despreparado para o “erro” e pra aquilo que entendo como a mais bela caracteristica humana: a incerteza. Esse aluno que necessita estar sempre no controle de tudo, dominando todos os conteúdos e fatos e não admite o “e se…”. Imagino o quanto esses me repudiam e me insultam nos dias anteriores a avaliação, já que o que procuro nesse momento é a criatividade, a racionalidade e a reflexão.

    Publicado por Patrícia Castro | maio 20, 2010, 00:24

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